O Mosteiro de Leça do Balio.
Classificado como monumento nacional, este imóvel medieval é considerado um dos melhores exemplares arquitectónicos existentes no país, de transição do estilo românico para o gótico. Com origem anterior ao séc. X, foi posteriormente (séc. XII) a primeira casa mãe dos Cavaleiros Hospitalários da Ordem de Malta em Portugal. Da construção românica resta apenas, nas traseiras da igreja, uma ala incompleta do claustro, um portal e uma janela com decoração vegetalista. Foi reedificado no séc. XIV, segundo o modelo das igrejas fortaleza. A fachada principal de estilo gótico, com ampla rosácea radiada e rematada por uma cruz da Ordem de Malta, possui torre de menagem de traça românica, coroada de ameias. No interior, dividido em três naves, podemos admirar a capela-mor com abóbada de nervuras, a capela de Nossa Senhora do Rosário ou do Ferro e os túmulos de vários cavaleiros e frades, destacando-se a arca tumular de Frei João Coelho, Grão-Mestre da Ordem, com estátua jacente da autoria de Diogo Pires, o Moço, bem como a pia baptismal, cuja base é decorada por animais exóticos. No exterior, o Cruzeiro é também da autoria do mesmo mestre coimbrão. Foi neste Mosteiro que o rei D. Fernando casou com D. Leonor de Teles.
Apesar da referência documental mais antiga deste monumento datar do ano de 1003, a fundação deste mosteiro é certamente muito anterior. Seria na época apenas um pequeno cenóbio albergando uma comunidade provavelmente beneditina. No séc. XII é doado aos monges-cavaleiros da Ordem de S. João do Hospital, tornando-se assim a primeira sede desta ordem em Portugal. A estrutura gótica do monumento remonta às obras de remodelação e ampliação efectuadas no séc. XIV por iniciativa do Balio D. Frei Estevão Vasques de Pimentel.
Do mosteiro resta apenas a igreja, de planta cruciforme, ladeada por uma alta torre quadrangular, provida de balcões com matacães, a meia altura e no topo, em ângulo, seteiras, dando à igreja um aspecto de verdadeira fortaleza militar.
No seu interior destaca-se, sobre a campa de Frei Estevão Vasques, uma placa de bronze, com diversos motivos decorativos e contendo o epitáfio do defunto em caracteres leoneses.
Está classificado como Monumento Nacional pelo Decreto de 16.06.1910 DG 136 de 23 de Junho de 1910.
Origens históricas
Baiona. Galiza. 19 Julho de 1342. Marina Vicente faz o seu testamento, indicando nas condições testamentárias que o marido, ou alguém que o substitua, faça em seu nome uma peregrinação a Santiago de Compostela e a Bouças: “Item mando que Pero Eannes meu marido que va por mina alma ao Croçeffiço de Ssan Salvador de Bouças e a Sanctiago hu eu era prometida dir. Et sse elle non poder yr mando que envie alla outro omme por mina alma”
O que nos diz a História da Arte
- “... Podemos classificar o Senhor Bom Jesus de Bouças, como escultura de madeira dos fins do séc. XII princípios do séc. XIII, sem dúvida, uma das mais impressionantes, mais belas e possivelmente a mais antiga, existente em Portugal.”
- “Algumas características desta imagem (...) recomendam a sua inclusão nos fins do século XIII ou nos inícios do século XIV (...)
- “(...) com uma classificação em torno da viragem de Século ou dentro dos primeiros anos de Trezentos, ele permanece como uma das mais antigas realizações portuguesas no género.”
Características da Imagem
- Pés separados
- Corpo esquemático, de fraco realismo anatómico
- Imagem pudica: o perizonium, de grandes superfícies lisas, desce ao tornozelo e joelho
- Mãos abertas e serenas (não se crispam)
- Posição relativamente hirta ao longo da cruz (Cristo-Majestade)
- Arcaísmo da cabeça (olhos trocados).
Contudo...
O dramatismo que falta no corpo está expresso no rosto (cabeça inclinada, olhos semicerrados...)
Onde?
Mosteiro de Bouças
Como?
A lenda parece indiciar uma resposta...
Os protagonistas
Rainha Santa Mafalda
- 1185 (?) - Nasce. Filha do rei Sancho I
- 1196 – D. Sancho I doa o Mosteiro de Bouças a D. Mafalda
- 1215 – Casamento com D. Henrique I de Castela, que morre em 1217
- 1217 – Regresso ao reino. Manda edificar residência junto mosteiro de Bouças
- 1249 – D. Mafalda obtém autorização do Papa para converter Convento de Bouças à Ordem de Cister
- 1256 – D. Mafalda morre em Arouca
“(...) devota ciosa e uma boa utilizadora de relíquias de santos e outros objectos com virtudes curativas.
(...)
(...) o conjunto de relíquias manejado por Mafalda permite-nos supor uma verdadeira devoção interior, centrada, segundo tudo indica, na Paixão de Cristo.”
Maria de Lurdes Rosa, 2000 - 1300-1308 -Bispo do Porto
- 1304 – D. Dinis doa-lhe as casas de Bouças q forõ da Rayã dona maffalda
- 1306 – D. Dinis doa-lhe o padroado de Bouças
- 1308 – D. Dinis escolhe-o para acompanhar a sua filha D. Constança que casa em Castela
- 1308-1313 - Bispo de Palência
- 1314-1321 - Bispo de Évora
- 1319-1324 – Guerra Civil. Toma o partido de D. Dinis
- 5 Março 1321
“Era M. CCC. LIX. Em V Do Mês de Março Dom Giraldo, Em Outro Tempo Bispo De Evora, Homens Filhos d’Algo O Matarão Sem Merecimento Em Este Lugar, À Alma Do Qual Deos Perdoe. Amen”
Sepultado na capela-mor da Sé de Évora, será trasladado para Bouças entre 1328 e 1342, por iniciativa do Bispo do Porto Vasco Martins, seu sobrinho.
“(...) devota ciosa e uma boa utilizadora de relíquias de santos e outros objectos com virtudes curativas.
(...)
(...) o conjunto de relíquias manejado por Mafalda permite-nos supor uma verdadeira devoção interior, centrada, segundo tudo indica, na Paixão de Cristo.”
Maria de Lurdes Rosa, 2000 - FOTOS DE ALTA RESOLUÇÃO. (1280x1024)
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