Arrancou a campanha para o referendo sobre a despenalização do aborto. Oito anos e meio após a primeira consulta popular sobre esta matéria, os portugueses são chamados de novo a pronunciar-se.
A 11 de Fevereiro, contudo, será a própria instituição do referendo que será colocada à prova. Dificilmente se poderá encarar este instrumento como algo válido se, mais uma vez, a abstenção superar os 50%.
Até 9 de Fevereiro, apoiantes do «Sim» e do «Não» tentarão mobilizar os eleitores para o referendo. Pelo meio, ficarão, certamente, várias polémicas, argumentos baixos e muita, mas mesmo muita, demagogia. De ambos os lados.
A vantagem do «Sim» apontada pelas sondagens, embora com uma recuperação do «Não» nos últimos tempos, poderá ser uma das maiores dificuldades para que o «Sim» saia vencedor a 11 de Fevereiro.
A militância do «Não» é maior do que a dos apoiantes do «Sim», bastando atentar, por exemplo, a quantidade de movimentos do «Não» que participam na campanha (19 contra apenas cinco do «Sim»).
A abstenção será sempre um derrota, independentemente das análises que consideram que favorece este ou aquele lado. A não participação no referendo mostra, tão só, que os portugueses desprezam os instrumentos criados para aumentar a participação da sociedade civil nas decisões políticas.
Caso a participação na consulta de 11 de Fevereiro seja, novamente, reduzida, dever-se-á ponderar a possibilidade de tornar o voto obrigatório.
Por respeito à democracia, numas eleições todos devemos votar, mesmo que em branco.
A 11 de Fevereiro espero que os portugueses participem, de facto, na decisão sobre um tema desta importância. Os 68,2% de abstenção em 1998 envergonham-nos.
Aqui entre nós, aqueles que tencionam votar a favor do homicidio de terceiros... que façam um favor as suas próprias almas e a nossa Sociedade já com os valores morais tão atacados e destruidos, saltem da ponte sobre o Tejo (ou da D. Luis, caso sejam do Norte), é uma atitude muito mais correcta pois só se refere a vida do próprio.